
Na Oitava Avenida só se ouvia a tac surdo da bengala sobre a superfície úmida do asfalto. As arvores do jardim central farfalhavam numa dança sedutora.
As mãos trêmulas batiam insistentes à porta – o tac- tac... Mais perto – ninguém atendia a sala imergida no breu da noite. A moça que batia desiste da ação continua e desata a correr sumindo e surgindo na claridade alaranjada do poste.
O homem de bengala a persegue a passos largos, sóbrios, ao longo da rua. Para que uma bengala? Ele visivelmente caminha sem dificuldades. Mesmo assim a bate no chão como para alarmar a presa.
Ela cai quase que voluntariamente numa poça d’água, está tão cansada, seu corpo jazia pesado e seu cérebro maquinava os mais terríveis fins para sua vida. Não se sabe desde quando ou de onde vem correndo. A noção se tempo se perde totalmente e o barulho agudo do silêncio estoura em seus ouvidos. A bengala parou.
É o fim. Será assim com todos os assassinados?- pensa - será que já morri? A escuridão total e a ausência de barulho fazem lembrar o universo. Ele já me matou ou esperar a morte sem lutar, em parte, já é morrer e daí essa sensação? Não sinto dor, nem o calor do sangue escorrendo sob mim, forjando um tapete fúnebre [...]forjando um manto fúnebre entre mim e o asfalto, tão pouco ouvi tiro ou qualquer objeto perfurando minha carne.Estou tão cansanda...Sente-se virar; seus olhos se abrem para o infinito -- haveria estrelas nesta noite? --mas um rosto a observava estático-- SUSTO. Numa fração eterna de segundos--nao se movem.ela fecha os olhos e sela-os com uma lágrima...Da ponta da bengala surge uma lâmina afiada que é cravadaem seu peito, seus olhos se arregalaram castanhos, ela se contorce esbaforida num último espasmo...depois olha vidrada as roseiras. No galho de uma arvorezinha uma coruja marrom--dessas que se vêem por aí-- pia alto e vôa. O homem se inclina suavemente sobre o corpo e observa-o meticulosamente como se procurasse algo...
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